Depois de encarar o choque - e gravar em minha memória imagens e sensações que talvez demorem anos para esmaecer -, fugir passou constantemente a me parecer uma opção atraente.
Não exatamente fugir da responsablidade - aquelas coisas das quais outras pessoas dependem, como trabalhar, servir de motorista entre as intermináveis visitas ao médico, ou sorrir mecanicamente para qualquer tentativa de contato com outros seres humanos.
Mas fugir de pensar no assunto, de remoer o presente e tentar definir o futuro em meio à névoa espessa que paira frente a meus olhos - ah, isso começou a se tornar tão atraente quanto... minha marca pessoal de heroína.
A analogia já diz tudo: em menos de 10 dias, passei de crítica ferrenha a praticamente mais uma personagem no universo da sensação adolescente do momento - Crepúsculo (ou Prepúcio, como insiste em chamar um dos meus irmãos). Há dois fins de semana, baixamos o filme e eu assisti três vezes. Quatro dias atrás, comprei os dois primeiros livros da saga - foram quase 800 páginas devoradas em menos de 48 horas. Dois dias depois, rendi-me ao impulso e completei a coleção: o DVD duplo, os dois últimos livros. O filme no iPhone e a trilha em loop no iPod.
De alguma forma, transportar-me para um universo onde vampiros são ricos, belos e protetores; onde lobos são divertidos e ardentes; onde pais e mães gozam de perfeita saúde... onde a protagonista tem sentimentos a respeito de si própria tão parecidos com os meus - pouco valor, uma descoordenação física patológica, muita introspecção escondida embaixo de toneladas de sarcasmo, quase ou nenhuma sensação de merecimento e, ocasionalmente, pensamentos suicidas... de alguma maneira doentia, isto proporciona algumas lufadas de sanidade entre minhas tentativas desesperadas de respirar a realidade - aquela na qual me faltam pulmões e coração, e as bordas da ferida provocada pelo buraco no peito não param um segundo sequer de queimar.
Olhando por um lado mais cético sei que, da mesma forma em que me demorei semanas vivenciando puro desprendimento ao ouvir Liz on Top of The World, da trilha de Pride and Prejudice, ainda me prenderei algum tempo à dor, resignação e esperança contidas na melodia simples de Bella's Lulaby.
Para quem não conhece, vale a pena escutar.
Essa noite, no entanto, tive meu primeiro pesadelo. Parece que o tempo corre contra mim. Estou a 2/3 do fim do último livro. Em dois dias estréia o segundo filme. Vejamos até onde o escudo vai.
E só para constar - apesar de morrer de amores pelo Edward, estou sempre tendendo um pouquinho mais pelo Jacob, como uma ironia secreta me dizendo que a vida nunca vai chegar perto de ser perfeita.
A Lua brilha alta no céu. E eu aqui, olhos sonolentos e coração apertado, me pego tentando enumerar minhas habilidades. Enquanto jornalista, me considero boa escritora - sem grandes arroubos de genialidade, mas acima da média em termos de correção e classe. Tenho um talento nato para idiomas - as últimas duas noites foram viradas em função da tradução de um capítulo de livro, e posso dizer sem falsa modéstia que o resultado coloca muita empresa juramentada em maus lençóis. Também gosto de brincar com imagens - fotografia me fascina, edição também. Recebo elogios constantemente a respeito de minhas habilidades nesta área (quem duvidar pode passar um olho aqui).
Então porque esta sensação de tragédia iminente que vez por outra me assola? Será que a inércia vai cantar vitória em definitivo nesta morada, me impedindo de crescer para outras áreas da vida? Será que vou viver e morrer assalariada, oprimida e sem perspectivas?
A esta hora da madrugada, a única resposta é a dos grilos cricrilando lá fora.
Há alguns dias o destino me colocou novamente nas mãos um caderno amarelado, de capa esmaecida e espiral torta. Rabiscado de cima a baixo, era o livro que escrevi na época de meus 17 anos.
Ah, memória!... lembrei do quanto os livros moldaram minha personalidade. De quanto as heroínas dos romances eram parte de quem eu sou. Do quanto estou diferente de então. E, horror dos horrores, me dei conta de que era uma pessoa melhor naquela época.
Madrugada. Lua vista da janela do quarto.
Sábio destino. Traz de volta a você coisas que você nunca ousaria em lembrar.
Esse negócio de morrer mexe muito comigo. E hoje, com dois ícones passando para o outro lado, a coisa pareceu mais assustadora do que normalmente é.
A gente não imagina que figuras do tipo de Michael Jackson possam vir a morrer algum dia. Para mim, pelo menos, ele era aquele cidadão esquisito que sempre dava um jeito de aparecer nas manchetes - por músicas excepcionais, comportamentos bizarros ou declarações amorosas em prol da humanidade e dos leões-de-bengala-do-alto-nilo. Mas que nunca poderia ceder a esta picuinha tão baixa chamada mortalidade.
É sério! Jackson foi um ser humano que conseguiu o feito de passar de criança explorada a ídolo global - mais que qualquer outro que tenha coexistido em seu tempo, ele mexeu com o planeta Terra. Qual a probabilidade de alguma outra pessoa ter tanta influência sobre o resto da humanidade?
Enfim... Minha sogra chorou quando soube de sua morte. Eu perdi o sono. Tantos outros milhões devem estar perplexos até agora, sem conseguir entender o porquê.
A gente tira onda, é verdade. Mas para mim, a frase que vai ficar do dia de hoje é a de um sujeito sensato - talvez o único - no Twitter:
nojinho de quem faz piadas sobre morte. quando for a mãe dessas pessoas será tão divertido?
Fica com Deus, Michael Jackson. Agora sim, você está livre de toda a merda que te fizeram neste mundo. Aproveita e cuida da Farrah Fawcett também!
...deitar de barriga cheia depois do almoço; respirar o ar úmido das árvores ao redor; escutar a algazarra dos passarinhos e ver minha mãe trazer um lençol e me cobrir devagarinho...
De uns anos para cá venho constantemente me surpreendendo com o rumo dos meus pensamentos. Talvez seja o excesso de auto-reflexão, talvez a (i)maturidade, mas o fato é que hoje mesmo (finalmente) entendi o motivo da minha curiosidade - desejo até - de presenciar o fim do mundo.
Explico-me: a cada estourar de fogos de artifício, tremor de edifício ou barulho inexplicável, começo a querer acreditar que estou presenciando o armagedom, tal qual naquele filme em que o Bruce Willis salva o mundo da destruição (e a carreira do Aerosmith do ostracismo). E nessas horas sempre tenho que conter o ímpeto de sair em desabalada carreira e refugiar-me na casa de meus pais, rezando e celebrando os últimos momentos em família em uma linda cena hollywoodiana - enquanto uma chuva de meteoros transforma o planeta num naco queijo coalho no fundo da churrasqueira.
Pois é.
O que está por trás disso é trágico e, como não poderia deixar de ser, ao mesmo tempo cômico. Acontece que entendi: eu simplesmente NÃO QUERO encarar o fato de que em alguma hora, mais cedo ou mais tarde, inevitavelmente (e todos os advérbios que o valham), meus pais não vão fazer mais parte deste plano material, e eu terei que enfrentar o desconhecido sem eles. Se for para ser privada da convivência dos meus queridos velhos, prefiro que partamos todos de uma só vez, e o planeta Terra literalmente que se exploda.
Mais que isso eu não consigo explicar.
Loucura, huh?
Como diz o título deste post, auto-análise é uma merda.
A morte também.
E tenho dito.
P.S.: E mesmo que eu fosse a Liv Tyler, e tivesse o dinheiro do Bruce Willis, e fosse casada com o Ben Affleck, o veredicto seria o mesmo: que venha o fim do mundo!
Hoje eu tava de cara feia. Toda tensa e cheia de trabalho na cabeça. Sabe aqueles dias em que todo mundo quer se aproveitar de você?
Quando você descobre que certas pessoas não fazem idéia do que seja "por favor" nem "obrigada", e que nunca foram ensinadas o significado de um "não", quanto mais da palavra "respeito".
Pois bem, o dia estava caminhando para uma enxaqueca.
Mas aí eu saí para almoçar - e no caminho, no meio da rua, tinha um passarinho.
Pequenininho e lindo, aboletado em um poste, no meio do emaranhado de fios.
E, a despeito do barulho dos carros e pessoas enlouquecidas com seus próprios problemas, o passarinho estava cantando. Lindamente, em alto e bom som, ele estava oferecendo seu melhor para aquele povo que só pensa em si.
Aí eu parei.
Sorri.
E amei aquele passarinho (você não tem idéia do quanto).
Don't worry About a thing 'Cause ev'ry little thing Is gonna be alright...
No último domingo me perdi entre fotos antigas: família, origens, história. Abri a caixa da memória e simplesmente respirei fundo, deixando a fada da lembrança fazer sua mágica. Passei com carinho por cada imagem, ao mesmo tempo revisitando todas aquelas sensações fantásticas...
De repente sinto como se pudesse estender a mão e tocar os pés de papoula de minha infância, ou sentir no rosto o frescor da brisa naquelas férias na praia.
Acho até que, fechando os olhos, consigo voltar vinte anos no tempo e ouvir novamente o zumbido alto das cigarras no verão, deitada no tapetinho outrora vermelho estendido sobre os tacos de meu antigo (e atual) quarto.
Quanto aconchego, quanta sensação de pertencer...
Uma imagem, no entanto, me chamou particularmente a atenção: eu, braços abertos, personificando a palavra leveza. Entregue ao momento, ao planeta, à vida. As preocupações poderiam até existir, mas eram outras, completamente outras. E tão irrelevantes que já se perderam no tecido da memória, apenas dez anos depois.
Foi aí que entendi que, olhando em retrospecto (expressão bonita que aprendi na biografia do McCartney), vemos o quanto nos ocupamos de tentar impedir o fluxo natural das coisas. Como na música da Legião Urbana, "tudo passa, tudo passará".
E daqui a uma década, certamente não lembrarei o que me afligia hoje - porque nada disso é importante.
Resumo da ópera: problema nenhum nos define, a não ser - é claro - que assim desejemos.
Anjos guardiões,
Seres da luz infinita, Que o dia seja de paz, Que a noite seja bendita!
Eu entrego os meus temores na luz divina Eu sou um ser de luz divina Eu irradio a luz divina para minha vida Eu irradio a luz divina para todas as coisas Eu envio a luz divina a todas as pessoas Eu vivo na luz divina Eu agradeço por todas as coisas, pessoas e por mim mesma.
Corpo e mente, mente e corpo. São engraçadas as formas pelas quais descobrimos que as duas coisas são, na verdade, uma só.
Hoje tenho a sensação de que estou acordando de um pesadelo beeeeem longo. A chegada da primavera marcou a volta de minha vida aos eixos - as flores se abriram, o sol apareceu e aparentemente os problemas que me afligiam estão mais distantes a cada dia que passa. Começo novamente a me sentir parte de um todo, rodando a favor do planeta e não contra ele. E para completar o ciclo, resolvi aposentar a sibutramina treze dias antes do previsto e me livrar de uma vez daqueles efeitos colaterais enlouquecedores - as irmãs taquicardia, tremedeira e paranóia.
Depois de tanto tempo, finalmente me julgo capaz de abraçar uma árvore e escutar a vida pulsando dentro dela.
Delícia...
Será que dura?
Ontem mais uma vez tive uma epifania. Me dei conta da minha obsessão em controlar o curso de todas as coisas deste mundo. Me dei conta de que este instinto permanente de controlar deixa escancarada uma porta para a paranóia entrar. Me dei conta que mesmo quando não há nenhum compromisso, continuo me forçando a alcançar metas inalcançáveis.
Por fim, me dei conta de que feliz é a água, que não tenta atravessar uma pedra; simplesmente a contorna.
Aleluia.
Digo e mais uma vez repito: será que dura?
Daqui a alguns anos, ao reler este texto, saberei. Por hoje, me contento em não me preocupar com isso e apenas sentir.
E recentemente eu constatei: para as pessoas, o ato de ouvir não tem nem de perto a importância de ser ouvido.
Ainda no embalo, também me dei conta de ter me tornado algo como o AB+ do mundo social - quando alguém quer colocar seus sentimentos para fora, imediatamente sou reconhecida como receptora universal. Mas num bom sentido, até porque eu incentivo e aprendo (ou tento) com as experiências alheias.
Enfim... uma música para os ouvidos do meu coração. Tenho que confessar, eu gosto muito da Beyoncé - exceto, claro, quando ela entra naqueles surtos hip-hop-suvaco-power.
Listen (Beyoncé Knowles/Dreamgirls OST)
Listen, To the song here in my heart A melody I've start But can't complete
Listen, to the sound from deep within It's only beginning To find release
Oh, the time has come for my dreams to be heard They will not be pushed aside and turned Into your own all cause you won't Listen....
[Chorus] Listen, I am alone at a crossroads I'm not at home, in my own home And I tried and tried To say whats on my mind You should have known Oh, Now I'm done believing you You don't know what I'm feeling I'm more than what, you made of me I followed the voice you gave to me But now I gotta find, my own..
You should have listened There is someone here inside Someone I'd thought had died So long ago
Oh I'm screaming out, for my dreams to be heard They will not be pushed aside or worse Into your own All cause you won't Listen...
[Chorus]
I don't know where I belong But I'll be moving on If you don't.... If you won't....
LISTEN!!!... To the song here in my heart A melody I've start But I will complete
Oh, Now I'm done believing you You don't know what I'm feeling I'm more than what, you made of me I followed the voice, you think you gave to me But now I gotta find, my own.. my own...
Rezo aos anjos lá do céu Com sua luz infinita: Que hoje o dia seja bom Que a noite seja bendita
Desta experiência não levamos nada - mas o que deixamos importa: boas (ou más) lembranças, aprendizado e vínculos com outras pessoas. Para mim, não adianta ser rico e ter poder quando não se dá atenção às coisas pequenas e maravilhosas da vida, como um abraço de pai e mãe, ou o azul do céu de setembro. Ninguém quer morrer sem ter comprado carro nem apartamento... indispensável para mim é entender a importância de abraçar uma árvore.
Tem certas coisas na vida que, ao contrário dos miraculosos fornos Brastemp, não são autolimpantes. Vida espiritual, por exemplo. Para manter a saúde mental em dia, é necessário cultivar o solo e arrancar constantemente as ervas daninhas.
Depois de um sábado-madame, no qual me peguei distribuindo para diversos fornecedores estratégicos - salão de beleza e limpeza de pele - algumas onças-pintadas by Casa da Moeda, me dei conta de um ponto conflituoso em minha já tão perturbada personalidade: eu não sei lidar com dinheiro.
Ao contrário do que se possa pensar, não sou uma gastadora compulsiva. Pelo ao contrário, como se diz no dialeto mobral e particular do meu círculo de amizades. Eu não sei é gastar dinheiro. Pelo menos não sem culpa.
Aparentemente meus instintos mais primitivos acreditam que dinheiro bom é dinheiro guardado - no banco, na carteira ou embaixo do travesseiro. Mesmo que seja uma grana extra, sem compromisso com nada, disponível de fato; segurança no meu planeta significa saber que aqueles belos espécimes da tribo dos reaus estão lá, me aguardando para um caso de urgência. Gastar com supérfluo então é praticamente um sacrilégio - tem o mesmo efeito de unha riscando quadro de giz. É ilegal, imoral E engorda.
Pior de tudo é saber que para me curar desta psicopatia, vou precisar vivenciar o paradoxo de deixar uma fortuna nas mãos de algum profissional da saúde mental; e no final ainda agradecer...
Trilha sonora para o making deste post proporcionada por Dormi na Praça, distinto candidato à vereança municipal cujo carro de som roda (em círculos) pelas paragens de Crossroads nesta ensolarada manhã domingueira.
Eu conheço um cidadão que, do alto de seus trinta e poucos anos, tem um bordão altamente peculiar: "quando eu era jovem e tinha saúde, as coisas eram diferentes..."
E eu, que ainda nem cheguei perto da trigésima primavera, estou sendo obrigada a parafraseá-lo com mais freqüência do que gostaria. Em 90% do tempo ALGUMA COISA me dói - é a coluna, o ombro, o braço, o cotovelo. As pernas, a cabeça, o estômago e por aí vai. Na maioria das vezes as dores vêm em combo, numa versão geriátrica do McMenu: número 1, coluna e perna; número 2, ombro, braço e mão.
Mas o que vem pegando ultimamente é a ausência total e absoluta de memória. Nos cinco minutos desde que comecei a escrever isto, por exemplo, já tive que reler quatro vezes o texto para lembrar... putz, lembrar o que mesmo?
Ainda bem que Deus inventou as drogas; mais precisamente os complexos vitamínicos. E viva o Gerovital!
Quase um ano depois, uma coincidência me relembrou da existência da blogosfera. Explico-me: chegando em casa numa preguiçosa tarde de domingo, me deparo com a exibição - num canal que normalmente nunca assisto - da versão cinematográfica de um dos meus livros preferidos: Cyrano de Bérgerac.
Com a suspeita cada dia mais forte de que sou uma versão de saias (a bem da verdade, calça jeans) do narigudo gascão, tentei e tentei e tentei puxar da memória um trecho da saga de Cyrano que rabisquei em todos os livros e cadernos do segundo grau... Até que me dei conta de tê-lo publicado, há alguns anos, no meu recém abandonado blog:
"Repara em mim, Le Bret! Repara a que distância Me deixa da ventura esta protuberância! Oh! Não tenho ilusões! Contudo, reconheço Que, numa tarde azul, às vezes me enterneço; Entro n'algum jardim que o tempo aromatiza; O meu nariz fareja abril que se matiza. Sob um raio argentino o meu tristonho olhar Segue um casal feliz. E ponho-me a pensar Que essa faixa de lua etérea me convida A levar pelo braço uma mulher querida. Eu me exalto... eu me esqueço... e, quando menos penso, Vejo, em sombra, no muro, o meu nariz imenso!..."
Edmond Rostand. Cyrano de Bérgerac, ato I, cena II.
Foi quando me deparei com textos antigos, e me lembrei do quanto é terapêutica a atividade do escrevinhar - não aquela pela qual sou remunerada, mas a que coloca no papel confissões íntimas e epifanias fugazes...
Cá estou, determinada a continuar a jornada e - é mister declarar - deveras agradecida ao Eurochannel (ou Eurokennel, como costuma dizer uma pseudo-modelo-manequim-atriz-BBB cujo nome já deve ter se perdido na memória coletiva - pelo menos na minha já era, garanto).
"Sei que meu olhar deve ser o de uma pessoa primitiva que se entrega toda ao mundo, primitiva como os deuses que só admitem vastamente o bem e o mal e não querem conhecer o bem enovelado como em cabelos no mal, mal que é o bom."
Clarice Lispector, Água Viva (1973).