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5 de dezembro de 2008

Auto-refletindo-me a mim mesma (ou Na companhia da minha própria pessoa)


Hoje lembrei porque sou tão arrogante, metida a sabichona e over-crítica com Deus e o mundo. Quem mais foi condicionada a ter que fazer tudo perfeito, sob pena de ouvir horas e mais horas de críticas (que, hoje em dia entendi, vêm de qualquer jeito - sempre há um motivo para se reclamar de algo).

Senhoras e senhores, eis a história da minha infância e adolescência em uma música:

Perfect
Alanis Morissette

Sometimes is never quite enough
Às vezes nunca é suficiente
If you're flawless, then you'll win my love
Se você é infalível, aí sim vai ganhar meu amor
Don't forget to win first place
Não esqueça de ficar em primeiro lugar
Don't forget to keep that smile on your face
Não esqueça de manter o sorriso no rosto

Be a good boy
Seja um bom menino
Try a little harder
Tente com mais afinco
You've got to measure up
Você tem que se organizar
And make me prouder
E me fazer mais orgulhoso

How long before you screw it up
Quanto tempo até você cagar tudo?
How many times do I have to tell you to hurry up
Quantas vezes eu vou ter que te dizer pra se apressar?
With everything I do for you
Com tudo o que eu faço por você
The least you can do is keep quiet
O mínimo que você pode fazer é ficar quieto

Be a good girl
Seja uma boa menina
You've gotta try a little harder
Você tem que se esforçar mais
That simply wasn't good enough
Isto simplesmente não foi bom o suficiente
To make us proud
Pra nos fazer orgulhosos

I'll live through you
Eu viverei através de você
I'll make you what I never was
Eu farei de você o que nunca fui
If you're the best, then maybe so am I
Se você for o melhor, talvez eu também o seja
Compared to him compared to her
Comparado a ele, comparado a ela
I'm doing this for your own damn good
Estou fazendo isto pelo seu maldito bem
You'll make up for what I blew
Você vai compensar todos os meus erros
What's the problem... why are you crying
Qual é o problema... porque você está chorando?

Be a good boy
Seja um bom menino
Push a little farther now
Force um pouco os limites agora
That wasn't fast enough
Isto não foi rápido o suficiente
To make us happy
Para nos fazer felizes.
We'll love you just the way you are if you're perfect
Nós te amaremos do jeitinho que você é... se você for perfeita.

4 de dezembro de 2008

Errar: é humano. Mas é uma merda

Fiz uma cagada de proporções continentais e concluí duas coisas:

1. Eu não posso ser humana, porque não suporto errar;
2. Preciso errar de vez em quando pra lembrar que todo o resto do mundo é humano - e por consequência parar de encher o saco do planeta Terra por qualquer mixaria.

Faz sentido?

Pra mim faz.

Brigada, nada, tchau.

26 de novembro de 2008

Porque não me deixei tentar vivê-la feliz

A cada dia que passa entendo mais que um dos meus grandes problemas é a inquietação que me lasca de corpo e alma, causada pela obsessão de FAZER TUDO CERTO.

Eu não suporto ver as coisas erradas, muito menos saber que a responsabilidade é minha - por isto estou constantemente conferindo toda vírgula, todo grão de areia, todo extrato de cartão da minha vida, para me certificar de que as coisas caminham na mais perfeita ordem.

Só que o que era apenas um perfeccionismo (moderado) acabou crescendo, inchando e fagocitando qualquer senso de noção que houvesse ao redor, até que me encontro do jeito que estou agora - inquieta 24x7, cobrando perfeição de mim (e dos outros!) e deixando passar toda e qualquer oportunidade de fazer aquelas coisas intuitivas e inesperadas que, em tempos de funk, podem ser chamadas de "coisas fora do quadrado".

...

Todo este preâmbulo quer dizer apenas que ontem, depois de mais uma vez passar o dia remoendo esta realidade, ligo a televisão enquanto cozinho o jantar e dou de cara com o MTV Unplugged da Julieta Venegas - e ela, com aqueles cílios lindos e um vestido vaporoso de fazer inveja, me esfrega na cara a seguinte canção:



Ilusión
Julieta Venegas com Marisa Monte

Uma vez eu tive uma ilusão
E não soube o que fazer
Não soube o que fazer
Com ela
Não soube o que fazer
E ela se foi
Porque eu a deixei
Por que eu a deixei?
Não sei
Eu só sei que ela se foi

Mi corazón desde entonces
La llora diario
No portão
Por ella no supe que hacer
y se me fue
Porque la deje
¿Por que la deje?
No sé
Solo sé que se me fue

Sei que tudo o que eu queria
Deixei tudo o que eu queria
Porque não me deixei tentar
Vivê-la feliz

É a ilusão de que volte
O que me faça feliz
Faça viver

Por ella no supe que hacer
Y se me fue
Porque la deje
¿Por que la deje?
No sé
Solo sé que se me fue

Sei que tudo o que eu queria
Deixei tudo o que eu queria
Porque não me deixei tentar
Viver-la feliz

Sei que tudo o que eu queria
Deixei tudo o que eu queria
Porque no me dejo
Tratar de ser la feliz

Porque la deje
¿Por que la deje?
No sé
Solo sé que se me fue.

8 de outubro de 2008

Auto-análise é uma merda

De uns anos para cá venho constantemente me surpreendendo com o rumo dos meus pensamentos. Talvez seja o excesso de auto-reflexão, talvez a (i)maturidade, mas o fato é que hoje mesmo (finalmente) entendi o motivo da minha curiosidade - desejo até - de presenciar o fim do mundo.

Explico-me: a cada estourar de fogos de artifício, tremor de edifício ou barulho inexplicável, começo a querer acreditar que estou presenciando o armagedom, tal qual naquele filme em que o Bruce Willis salva o mundo da destruição (e a carreira do Aerosmith do ostracismo). E nessas horas sempre tenho que conter o ímpeto de sair em desabalada carreira e refugiar-me na casa de meus pais, rezando e celebrando os últimos momentos em família em uma linda cena hollywoodiana - enquanto uma chuva de meteoros transforma o planeta num naco queijo coalho no fundo da churrasqueira.

Pois é.

O que está por trás disso é trágico e, como não poderia deixar de ser, ao mesmo tempo cômico. Acontece que entendi: eu simplesmente NÃO QUERO encarar o fato de que em alguma hora, mais cedo ou mais tarde, inevitavelmente (e todos os advérbios que o valham), meus pais não vão fazer mais parte deste plano material, e eu terei que enfrentar o desconhecido sem eles. Se for para ser privada da convivência dos meus queridos velhos, prefiro que partamos todos de uma só vez, e o planeta Terra literalmente que se exploda.

Mais que isso eu não consigo explicar.

Loucura, huh?

Como diz o título deste post, auto-análise é uma merda.

A morte também.

E tenho dito.

P.S.: E mesmo que eu fosse a Liv Tyler, e tivesse o dinheiro do Bruce Willis, e fosse casada com o Ben Affleck, o veredicto seria o mesmo: que venha o fim do mundo!